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Vencer o bovarismo nacional para mudar o mundo

Postado por Cécile Petitgand 28 de janeiro de 2016 Deixe um comentário

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O historiador Sérgio Buarque de Holanda, em seu clássico livro Raízes do Brasil, de 1936, chama de ¨bovarismo¨ a nossa mania nacional de procurar pelo milagre do dia, pelo imprevisto salvador. Segundo o autor, o conceito se refere a ¨um invencível desencanto em face de nossas condições reais¨.

Fingindo que nada pode mudar, admitimos nossa impotência frente aos desafios que nos encaram cada dia, desejando – como agora no começo do ano – que cheguem mais paz na terra, amor, saúde e felicidade, e que se solucionem todos os males do mundo. Precisamos hoje parar de torcer para que algum elemento mágico e imprevisto caia dos céus, suspendendo o mal-estar e resolvendo problemas. Hoje, precisamos planejar mudanças substantivas e duradouras.

Mas como começar?

 

Bovarismo: A Origem

O termo tem origem na famosa personagem Madame Bovary, criada pelo autor francês Gustave Flaubert, e define justamente uma alteração do sentido da realidade, quando uma pessoa se considera outra do que é. O estado psicológico geraria uma insatisfação crônica, produzida pelo contraste entre ilusões e aspirações, e, sobretudo, pela contínua desproporção diante da realidade.

Imagine-se, contudo, o mesmo fenômeno passado do indivíduo para toda a comunidade, que se concebe sempre diferente do que é, ou aguarda que um inesperado altere a danada da realidade. Segundo Holanda, brasileiros teriam um quê de Bovary.

Vencer o bovarismo pelo empreendedorismo social

Como vencer o bovarismo nacional? Primeiro precisamos reconhecer que o futuro só é moldado a partir do conjunto de ações individuais, portanto é totalmente decorrente de nossas decisões cotidianas e pontuais. Não adiante esperar que tudo melhore, ficando sentado na cadeira, ou rezando na igreja. A filosofia do empreendedorismo social enfatiza a responsabilidade que cada um de nós tem de resolver os problemas da sociedade que mais insultam nossa consciência. Ultrapassando a etapa da insatisfação frente à realidade, podemos ir a busca de soluções práticas e sustentáveis que possam criar novas oportunidades e gerar bem-estar.

Mas mudar o mundo sozinho? Certamente isto é impossível, portanto ¨empreendedorismo social¨ não significa empreender sozinho. Conectando-se com comunidades, parceiros, governos e investidores, o empreendedor social realça quanto é imprescindível o poder da coletividade para criar novos caminhos de mudança. Portanto, o empreendedorismo social concreto – que vai além da retórica mediática que coloca o empreendedor num pedestal e o glorifica como salvador do mundo – é antes de tudo um fenômeno político, pois juntando indivíduos novamente em prol de outro futuro, ele nos define primeiramente como cidadão antes de consumidor.

Sobre Cécile Petitgand

Cécile Petitgand
Doutoranda em administração na Universidade Paris-Dauphine e na USP, sou apaixonada pelas inovações desenvolvidas pelas organizações que pretendem usar os mecanismos de mercado para resolver grandes problemas sociais e ambientais. Acredito no poder de mudança do empreendedorismo e no grande potencial das novas redes de comunicação.

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