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Potencial do Terceiro Setor na luta contra o desemprego

Postado por Cécile Petitgand 10 de agosto de 2015 Deixe um comentário

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De acordo com o resultado da Pesquisa Mensal de Emprego divulgado no final do mês passado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a taxa de desemprego no Brasil subiu pelo sexto mês seguido e atingiu 6,9% em junho, nível mais alto em cinco anos. Este número seria devido à forte procura por trabalho e corte de vagas diante da fraquejante situação econômica do país.

O que o Terceiro Setor pode fazer para ajudar a solucionar este problema e limitar o crescimento da taxa de desemprego? Será que poderia complementar eficientemente o papel do mercado em oferecer oportunidades de emprego e fornecer renda para aqueles que não encontram ocupação no setor privado?

 

 

A importância do Terceiro Setor no Brasil

As últimas estatísticas consistentes sobre o Terceiro Setor foram divulgadas em 2010, por isso vamos nos baseiar nos dados da pesquisa conduzida pelo IBGE en 2012, em parceira com outras instituições, para avaliar a importância do Terceiro Setor e seu potencial frente aos desafios econômicos atuais.

De acordo com esta pesquisa, existiam oficialmente no Brasil, em 2010, 290,7 mil Fundações Privadas e Associações sem Fins Lucrativos (Fasfil). Fala-se de organizações privadas, sem fins lucrativos, institucionalizadas, auto-administradas e voluntárias. Essas instituições representavam 5,2% do total de 5,6 milhões de entidades públicas e privadas, lucrativas e não-lucrativas, do Cadastro Central de Empresas (CEMPRE) do IBGE, naquele ano.

Entre 2006 e 2010, observou-se um crescimento da ordem de 8,8% dessas instituições, significativamente menor do que foi observado no período de 2002 a 2005 (22,6%). As Fasfil concentram-se nas regiões Sudeste (44,2%), Nordeste (22,9%) e Sul (21,5%), estando menos presentes no Norte (4,9%) e Centro-Oeste (6,5%).

Em 72,2% das Fasfil (210,0 mil entidades) não havia sequer um empregado formalizado, em 2010, provavelmente porque se apoiam em trabalho voluntário e prestação de serviços autônomos. No entanto, entre as 80,7 mil instituições com empregados assalariados, a área de saúde (6,0 mil entidades) empregava 574,5 mil pessoas (27,0%), em 2010, seguida pelo grupo de entidades de educação e pesquisa (17,7 mil), com 26,4% do total de trabalhadores. No grupo da Educação, a concentração é bem mais expressiva no subgrupo de educação superior, pois 1,4 mil universidades ou faculdades empregavam 165,6 mil trabalhadores (7,8%).

Os trabalhadores das Fasfil ganhavam, em média, o equivalente a 3,3 salários mínimos por mês, em 2010. Entre 2006 e 2010, cresceu 15,9% o número de ocupados assalariados, sendo criados 292,6 mil empregos. Esse crescimento do pessoal ocupado, no período, foi mais significativo nas entidades de Desenvolvimento e Defesa de Direitos (30,0%) e de Saúde (26,5%). Porém, em números absolutos, na Saúde foram criados 120,2 mil empregos novos, enquanto no Desenvolvimento e defesa de direitos, esse número foi de apenas 27,8 mil.

Estes números demostram que o Terceiro Setor tem forte potencial para criar capital social e empregos no Brasil. Entre o mercado e o governo existem então bases sólidas para construir um novo centro de empregabilidade e geração de renda. Como vimos, dedicar-se ao Terceiro Setor não é somente servir a comunidade, mas também encontrar um emprego que possa gerir novas oportunidades de inclusão social e valorização pessoal.

O Terceiro Setor, primeiro setor da sociedade?

De acordo com Jeremy Rifkin, especialista em questões relacionadas a ciência, tecnológia e cultura e autor de vários best-sellers, pode-se dizer que o Terceiro Setor é realmente o primeiro setor. Em toda civilização, primeiro surge a comunidade (o capital social); posteriormente, começa-se a comerciar, aparece o mercado, e depois surge o governo. Como Rifkin escreve num capítulo do livro 3º Setor: desenvolvimento social sustentado, ¨Neste século, invertemos o raciocínio e passamos a crer numa idéia bizarra de que, de início, criamos um mercado forte, pois  isso ajuda a construir uma comunidade forte. Isso é completamente falso.¨

Jeremy Rifkin propõe que o Estado trabalhe com o Terceiro setor para recapicitar as pessoas desempregadas na arte do capital social, para que elas possam encontrar um emprego numa das milhares organizações comunitárias ou cooperativas. Todavia, criar emprego no setor civil e provê-lo de recursos financeiros custa dinheiro. As fundações podem ser catalisadoras, mas não podem fazer tudo sozinhas.

Como ajudar então o Terceiro Setor a se financiar para garantir sua expansão e fazer com que possa desempenhar seu papel de integração social? Esta questão merece em si uma discussão…

 

Fontes:

IBGE (2015).Pesquisa Mensal de Esemprego, Site do IBGE

NÚMEROS E DADOS DAS FUNDAÇÕES E ASSOCIAÇÕES PRIVADAS SEM FINS LUCRATIVOS NO BRASIL – PESQUISA FASFIL 2010, Site da Abong

RIFKIN, J. (1997). Identidade e Natureza do Terceiro Setor in IOSCHPE, EB (org.) 3º Setor: desenvolvimento social sustentado. Rio de Janeiro. Paz e Terra.

Sobre Cécile Petitgand

Cécile Petitgand
Doutoranda em administração na Universidade Paris-Dauphine e na USP, sou apaixonada pelas inovações desenvolvidas pelas organizações que pretendem usar os mecanismos de mercado para resolver grandes problemas sociais e ambientais. Acredito no poder de mudança do empreendedorismo e no grande potencial das novas redes de comunicação.

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