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O que são os Investimentos de impacto?

Postado por Cécile Petitgand 19 de agosto de 2014 Deixe um comentário

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Um estudo recente do banco norte-americano J.P Morgan, publicado em 2010, estimou que os negócios com impacto social, assim como os veículos que os apoiam, receberão algo entre 500 bilhões e 1 trilhão de dólares de investimento direto nos próximos dez anos. Estes investimentos em negócios sociais vem sendo chamados de ¨investimentos de impacto¨ (impact investments, em inglês). Segundo a J.P Morgan, ¨investimentos de impacto são aqueles feitos em negócios que possuem a intenção de causar impacto social, além de retorno financeiro¨.

Dado ao alto grau de risco percebido dos investimentos em negócios com impacto social, a maioria do capital que apoia o setor atualmente é proveniente de indivíduos de alta renda, fundos familiares, órgãos multilaterais ou do setor social privado. Ainda se nota pouco movimento de investidores institucionais, fundos de pensão ou bancos de investimento em direção a esses ativos, a pesar do interesse crescente.

Impact first ou financial first?

A pesar de sempre buscarem o impacto social com seus aportes de capital, conceitualmente os investidores de impacto são divididos em dois grupos distintos: aqueles que dão preferência para o impacto social (impact first) e os que privilegiam o retorno financeiro (financial first).

Os investidores impact first geralmente buscam o impacto social como prioridade, desde que respeitado um mínimo de retorno financeiro (na maioria das vezes abaixo da taxa de mercado). Estes investidores costumam ser fundações, institutos e outras organizações sem fins lucrativos. Defendem a necessidade de se adotar uma abordagem mais paciente para os investimentos em negócios com impacto social que precisam de mais tempo para se desenvolver e passar a ser lucrativos.

Por outro lado, existe a corrente que propõe a priorização de busca pelo retorno financeiro sem abrir mão do impacto social. Esses investidores são chamados de financial first e buscam otimizar os retornos financeiros, mantendo um mínimo aceitável de impacto social. São, em maioria, investidores mais tradicionais, que buscam incorporar métricas de impacto social e ambiental às decisões de investimento. Argumentam que qualquer negócio, seja ele tradicional ou social, deve atingir uma grande escala para poder beneficiar um número maior de pessoas.

Investimentos de impacto no Brasil

No Brasil, os negócios sociais podem recorrer a empréstimos subsidiados oferecidos por organismos públicos como a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), ou oferecidos ainda por organizações internacionais, tais como a Corporação Financeira Internacional e o Banco Interamericano de Desenvolvimento.

Dadas as dificuldades que os negócios sociais podem encontrar no começo de sua existência, vários deles optam por empréstimos a taxas variáveis, indexadas ao seu desempenho econômico. Com empréstimos desse tipo, o investidor divide com o empreendedor uma parte dos riscos do negócio, na medida em que aceita não obter retornos no caso de resultados ruins. Por meio desses dois tipos de financiamento, os fundadores da organização não correm o risco de ter reduzida sua participação no capital da empresa ou de perder o controle sobre a empresa e sua orientação social.

Entretanto, um negócio social pode também optar por aceitar  investimentos de capital de risco (venture capital), por meio dos quais os investidores participam do capital social das empresas na mesma medida dos fundos que investiram. Por meio desse último tipo de investimento, a influência dos empreendedores sociais que figuram como acionistas da empresa pode acabar reduzida, acarretando consequências significativas ao processo de tomada de decisões da empresa.

Com o objetivo de ajudar os negócios sociais na conservação de sua missão social, bem como aumentar o capital disponível a eles, fundos de investimento éticos surgiram no Brasil. Vox Capital foi a primeira empresa de capital de risco (venture capital) a catalisar investimentos de peso em direção aos negócios sociais que atuam majoritariamente nas áreas de saúde, educação, moradia e microcrédito. Atualmente, outros fundos foram estruturados segundo o mesmo modelo, dentre eles: MOV investimentos Patrimônio, Gera Ventures, o fundo Virtuoso e a First.

Para saber mais:

Leia o estudo da JP Morgan: Impact Investiment, an Emerging Asset Class

Visite o site da Vox Capital

 

Sobre Cécile Petitgand

Cécile Petitgand
Doutoranda em administração na Universidade Paris-Dauphine e na USP, sou apaixonada pelas inovações desenvolvidas pelas organizações que pretendem usar os mecanismos de mercado para resolver grandes problemas sociais e ambientais. Acredito no poder de mudança do empreendedorismo e no grande potencial das novas redes de comunicação.

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