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O que é Educação Popular?

Postado por Cécile Petitgand 12 de setembro de 2016 2 Comentários

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Tive a imensa oportunidade de participar de um curso de formação de educadores populares, organizada por Daniel Figueiredo, professor de Filosofia e Psicanálise e ex-coordenador da área de Educação Popular do Instituto Paulo Freire.

Durante o curso, formou-se um espaço de construção coletiva de conhecimento e reflexão sobre a atualidade do pensamento de Paulo Freire, juntando perto de 15 pessoas interessadas em aprofundizar os conceitos da Educação Popular.

Mas o que é Educação Popular segundo a concepção freiriana? Descubra aqui comigo os príncipios essenciais de uma pedagogia da autonomia e emancipação.

Concepção pedagógica de Paulo Freire

Segundo Paulo Freire, “não é possível fazer uma reflexão sobre o que é a educação sem refletir sobre o próprio homem¨ (Educação e Mudança). O homem, segundo ele, é um ser inacabado, inconcluso e incompleto que, por ter consciência de sua inconclusão, busca aprender e se educar. O homem, no entanto, não pode ser objeto de sua educação; ele precisa ser o próprio sujeito de seu processo de aprendizagem. ¨Ninguém educa ninguém¨, ressalta Paulo Freire em Educação e Mudança.

Em suas publicações, Paulo Freire denuncia uma concepção pegagógica contrária a dele e muito difundida em nossa sociedade, que ele qualifica de ¨educação bancária¨. Esta se apoia na transmissão unidirecional de conteúdos do professor para o aluno, que é portanto considerado como um depósito no qual o professor deve colocar conteúdos novos.

Paulo Freire opõe a esta concepção uma visão emancipátoria da prática pedagógica, pela qual os educandos – nome que o pensador prefere à palavra “aluno” – conseguem refletir sobre sua realidade e podem assim libertar-se das opressões que os constrangem.

Educação Popular Vs. Educação do Povo

As primeiras escolas públicas, destinadas à educação das classes populares, não surgiram no Brasil por causa de um movimento cidadão. Como o explica Carlos Rodrigues Brandão em O que é Educação Popular, foram pressões de empresários, enxergando possíveis vantagens econômicas na alfabetização dos trabalhadores, que levaram à criação das primeiras redes de ensino público no Brasil. O “combate ao analfabetismo”, que ganhou força nos anos 20, foi portanto uma iniciativa plenamente motivada pelos interesses financeiros das classes dominantes.

A Educação Popular não pode ser confundida com a Educação do Povo que visa primeiramente ensinar às classes populares saberes que os deixarão mais submissos na posição de trabalhadores dominados. A Educação Popular, contrariamente à Educação do Povo, se faz com e para as classes populares, na medida em que ela ambiciona torná-los autônomos e sujeitos de seu próprio destino.

Iniciativas que visam educar os mais pobres para que ocupem uma posição determinada na sociedade pertencem à Educação do Povo. Iniciativas que objetivam dar aos dominados os meios para entender e transformar o seu mundo, a fim de questionar a sua posição na sociedade e construir o seu próprio caminho, podem se reclamar da Educação Popular.

Será que é tão simples assim? Quais iniciativas hoje são da Educação Popular, tal como acabamos de descrevê-la? Dê sua opinião e entre no diálogo!

Sobre Cécile Petitgand

Cécile Petitgand
Doutoranda em administração na Universidade Paris-Dauphine e na USP, sou apaixonada pelas inovações desenvolvidas pelas organizações que pretendem usar os mecanismos de mercado para resolver grandes problemas sociais e ambientais. Acredito no poder de mudança do empreendedorismo e no grande potencial das novas redes de comunicação.

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