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O que é a Base da Pirâmide?

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A fundação da nossa sociedade

Em economia, a Base da pirâmide (BdP) representa o grupo mais pobre da sociedade. Fala-se na verdade do maior grupo que se encontra na base da pirâmide social. Inclui aproximadamente 4 bilhões de pessoas que vivem hoje no mundo com menos de US$2.50 (mais ou menos R$ 5.00) por dia. No Brasil, pode-se considerar que a BdP está constituída pelas 120 milhões de pessoas pertecendo às clases C, D e E, que vivem com menos de 21 reais por dia.

As potencialidades da Base da pirâmide

C.K. Prahalad (Universidade de Michigan) e Stuart L. Hart (Universidade de Cornell) são considerados os primeiros acadêmicos a terem enfatizados o potencial da população de baixa renda para as empresas atuando nos mercados emergentes. Na publicação ¨A riqueza da base da pirâmide¨ (2002), eles tentaram revelar as imensas oportunidades de negócios escondidas nas populações da BdP, além de destacar estratégias para conseguir usufruir deste novo mercado. É possível lucrar na BdP, porém só a condição de entender às suas especificidades e desenvolver novas técnicas para atingir o público de baixa renda e saber atender às suas necessidades.

Portanto, não basta só uma empresa adaptar os seus produtos para deixá-los simplesmente mais acessíveis para os pobres (reduzindo os custos de produção e o preço por exemplo). Um negócio que pretende criar um verdadeiro impacto na BdP precisa vender um produto ou um serviço que alargue as potencialidades das pessoas pobres e crie um benefício social mensurável na vida das comunidades.

Clientes E parceiros

Stuart L. Hart elaborou mais recentemente o conceito de ¨Base da Pirâmide 2.0¨ para diferenciar as boas estratégias de mercado das atitudes mercantis básicas que se direcionam aos pobres. Na sua versão 2.0, o negócio com impacto social desenvolve novos produtos e serviços que respondem às necessidades das pessoas pobres em vez de criar novos desejos e aspirações consumistas. Não só se considera os pobres como potenciais clientes, mas também, como possíveis parceiros e fornecedores cujos interesses são totalmente integrados ao modelo de negócio. Pense agora em empresas como a Natura e a Avon que através de sua rede de vendedoras está permitindo a centenas de mulheres de aumentarem sua renda criando novas oportunidades e caminhos de vida.

Para concluir, atuar com sucesso na BdP exige compromisso com uma missão social, comunicação constante com as comunidades e aceitação de um lucro menor do que os negócios tradicionais. Poucas empresas pretendem reunir essas três atitudes, muitas pelo contrário, preferem adotar um olhar voraz sobre o mercado de baixa renda.

O que podemos fazer para incentivar a criação de negócios mais éticos neste sentido?

Para saber mais:

Entrevista com Stuart L. Hart, no site do Planeta Sustentável

Lucrar vendendo para a base da pirâmide, no site da Endeavor

Comunicação com a base da piramide, no site da Endeavor

Sobre Cécile Petitgand

Cécile Petitgand
Doutoranda em administração na Universidade Paris-Dauphine e na USP, sou apaixonada pelas inovações desenvolvidas pelas organizações que pretendem usar os mecanismos de mercado para resolver grandes problemas sociais e ambientais. Acredito no poder de mudança do empreendedorismo e no grande potencial das novas redes de comunicação.

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