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Mapeamento dos negócios sociais do Brasil – Plano CDE

Postado por Cécile Petitgand 15 de outubro de 2014 Deixe um comentário

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O número de negócios com impacto social está crescendo no Brasil. Cada vez mais incubadoras e aceleradoras de negócios sociais estão querendo acompanhar o desenvolvimento das empresas sociais, além de trazer novas fontes de recursos para que ganhem escala e ampliem sua ação social. Porém, poucos são os estudos disponíveis que trazem dados e análises sobre o funcionamento destas novas organizações e seu desempenho ao longo dos anos.

O estudo que me serve de referência no meu trabalho sobre os negócios sociais foi realizado no início de 2011. Foi o primeiro mapeamento de negócios sociais efetuado no Brasil, resultado de uma iniciativa conjunta da Fundação Avina, Potencia Ventures e Polo Ande Brasil. Elaborado e implementado pela consultoria Plano CDE, o estudo visou criar um marco zero sobre o tema, identificando os principais atores desta galaxia e gerando informações que possam contribuir para a consolidação e a ampliação deste novo campo.

 

Mapeamento dos negócios sociais

O mapeamento foi feito em duas fases. Primeiro, foram mapeados 140 negócios sociais, além de 650 iniciativas de geração de renda e 135 desenvolvedores de negócios (incubadoras e aceleradoras). Na segunda fase, foram selecionados e entrevistados 50 negócios com impacto social, 40 desenvolvedores e 14 investidores em todo o Brasil.

Os dados que vou lhes apresentar agora foram coletados na segunda fase do mapeamento e retratam os 50 negócios investigados em profundidade.

Estado de origem e área de atuação

O estudo mostra que os negócios estão distribuídos de acordo com a população:

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A pesar do pequeno porte e do curto tempo de existência, 50% declararam atuar em várias regiões do país e 22% ter alcance internacional.

Tipos de produto e serviço oferecidos

Ao analisar os tipos de produtos e serviços oferecidos, chama a atenção o baixo número de negócios que atuam em áreas estruturais como habitação (6%) e saúde (4%), consideradas críticas para garantir a melhoria da qualidade de vida das pessoas de baixa renda.

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Sustentabilidade financeira

Une boa notícia revelada pelo estudo é que, apesar do curto período de existência – 52% dos negócios surgiram nos últimos cinco a seis anos – , 64% deles declararam que já não dependiam de doações. Ainda mais, 86% dos entrevistados afirmaram contar com recursos próprios para financiar as operações do dia a dia.

Esses dados são animadores e mostram que é possível compatibilizar lucro e impacto social em um modelo economicamente viável.

Público-alvo e impacto social

96% dos negócios afirmaram ter nascido com a intenção de produzir um impacto positivo na sociedade.

A seguinte tabela evidencia que os negócios estão mais direcionados ao público de menor renda, pertencente às classes D e E.

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Expectativas financeiras

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O setor dos negócios sociais no Brasil ainda é um campo em fase seminal. Boa parte das iniciativas atua em várias frentes e, por isso, não se encaixa em um conceito definido. Porém, o desempenho destas empresas é encorajador. A presença cada vez maior de novas instituições envolvidas no fomento a esse setor assinala que está em curso um movimento capaz de transformar a maneira de se fazer negócios no país.

Sobre Cécile Petitgand

Cécile Petitgand
Doutoranda em administração na Universidade Paris-Dauphine e na USP, sou apaixonada pelas inovações desenvolvidas pelas organizações que pretendem usar os mecanismos de mercado para resolver grandes problemas sociais e ambientais. Acredito no poder de mudança do empreendedorismo e no grande potencial das novas redes de comunicação.

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