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Mapeamento dos investimentos de impacto no Brasil

Postado por Cécile Petitgand 4 de setembro de 2014 Deixe um comentário

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O polo da ANDE (Aspen Network of Development Entrepreneurs) no Brasil lançou, em parceria com LGT VP, Quintessa Partners e Universidade de St. Gallen, o mais recente mapeamento sobre o setor de Investimento de Impacto no país.

Um estudo realizado com vários investidores nacionais e internacionais, que capta alguns dados sobre o capital e os investimentos realizados no campo, assim como algumas tendências e desafios para a evolução do setor no país.

Este post visa apresentar as principais conclusões do relatório da ANDE, portanto não pretende ser exaustivo. O link para o relatório em íntegra encontra-se no final!

 

 

 Crescimento do número de investidores

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Entre 2012 e 2013, o número de novos investidores triplicou, passado de 7 para 20 investidores até dezembro de 2013. O mercado está crescendo significativamente – no entanto, o setor ainda é incipiente, com um histórico registrado de dois a três anos, em média.

Tipos de investidores identificados

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A maioria dos investidores são fundos fechados (40%), seguidos pelas aceleradoras de negócios com investimentos financeiros (10%), organizações abertas ou evergreen (Organizações que levantam fundos continuamente, sem limite de capitalização) (10%) e family offices (5%). Os outros 35% são divididos em categorias diferentes como firmas filantrópicas de investimentos, fundações, incubadoras de negócios, fundos abertos com organizações sem fins lucrativos ou bancos de desenvolvimento.

Capital investido desde 2003

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Desde 2003, um total de US$ 76,4 milhões foi investido em 68 negócios de impacto.

Expectativa de retorno financeiro

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No nível inferior da figura, as fundações responderam que possuem expectativas financeiras bastante moderadas, variando entre 0% e 20%. Isto é consistente com sua abordagem predominantemente social ou filantrópica. Quarenta e quatro por cento dos fundos fechados nacionais também esperam retornos financeiros abaixo de 20%.

Setores de maior foco

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Educação, inclusão financeira e serviços de saúde são os setores onde os investidores 11 mais concentram esforços no Brasil. Isto coincide com as áreas onde o Brasil atualmente enfrenta seus maiores desafios e ainda possui enorme potencial de melhoria em termos de produtos e serviços para a população de menor renda.

Critérios de investimento

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O impacto social é o critério de investimento chave para todos os 19 investidores pesquisados, seguido da qualidade da gestão, com 60%, e a sustentabilidade financeira, com 55% – com apenas 30% escolhendo a inovação. Este fator parece ser particularmente atrativo para aceleradoras de negócios, mas não para fundos fechados.

Estágio de desenvolvimento do negócio

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Devido à falta de negócios em fase de crescimento, os investimentos em negócios em fase inicial compreendem 82% de todas as transações conduzidas por investidores de impacto no Brasil.

Instrumentos de investimento

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Aceleradoras de negócios usam tanto obrigações conversíveis quanto equity. Investidores abertos, firmas de investimentos
filantrópicos e fundações também oferecem doações, além de outros instrumentos financeiros com expectativas de retorno.

Ainda existem muitos desafios a serem superados:

  • O investimento de impacto ainda é um setor nascente com um volume de transações muito baixo em relação com o investimento tradicional.
  • Os investidores têm dificuldades em identificar potenciais empresas que atendem a seus critérios de investimentos.
  • Ainda falta capital semente para o desenvolvimento de negócios sociais em fase de idealização.
  • Os investimentos se concentram em alguns Estados de maior desenvolvimento (SP, RJ, MG), no entanto regiões mais afastadas como o Nordeste precisam de mais recursos.

Para saber mais:

Leia o relatório final da ANDE aqui.

Sobre Cécile Petitgand

Cécile Petitgand
Doutoranda em administração na Universidade Paris-Dauphine e na USP, sou apaixonada pelas inovações desenvolvidas pelas organizações que pretendem usar os mecanismos de mercado para resolver grandes problemas sociais e ambientais. Acredito no poder de mudança do empreendedorismo e no grande potencial das novas redes de comunicação.

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