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Entrevista com Fabiana Dias, multi-empreendedora social!

Postado por Cécile Petitgand 1 de novembro de 2015 Deixe um comentário

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Fabiana Dias é jornalista, pós-graduada em Comunicação organizacional e Relações Públicas, e empreende na área social há 18 anos. Especialista em gestão de projetos sociais e design de serviços, também é empreendedora do Viveiro Inovação Social, de 100pepinos, Mais Argumento, co-criadora do EmpreendenDoBem e está desenhando o AmpliaLab.

Mãe de dois filhos, soube empreender tanto na família quanto na vida profissional. Impossível não ficar admirado frente a uma mulher multi-empreendedora com tanto talento para fazer acontecer!

Fabiana, como você se tornou empreendedora social?

Entrei nessa história muito jovem, quando o empreendedorismo social ainda não era história para ninguém. Conheço empreendedores que falam: ¨Ah! De repente, eu virei a chave!¨, mas eu nunca virei a chave, nasci de chave virada! Muitas coisas que eu fiz, fiz na raça. Nessa área, não tinha apoio, não tinha curso, não tinha dinheiro, não tinha nada! Fui fazendo o que tinha a fazer. Empreendi primeiro sozinha! Meu marido me apoia e me apoiou muito nesse processo todo, mas o ambiente era outro…

Hoje as incubadoras e aceleradoras de negócios sociais procuram perfis muito específicos. Várias seleções de empreendedores sociais são até os trinta anos. Tem uma procura, por exemplo, por jovens de até 24 anos que estão apaixonados em querer mudar o mundo. Já passei por esta fase, claro que quero revolucionar o mundo, mas amadureci e tive muitas aprendizagens. Para você ser um empreendedor incrível, será que tem que ter menos de 30 anos?

O que você acha diferente no empreendedorismo social, em relação ao modelo antigo de resolver problemas sociais?

O empreendedorismo social, para mim, é criar soluções que gerem impacto para a sociedade e que tenham capacidade de criar receita. Estes dois pilares têm que ser equilibrados em negócios sociais. O foco na autonomia financeira faz com que o negócio olhe mais para os seus resultados sociais e ecônomicos. Isso é fundamental para continuar a existir e gerar impacto.

Em geral, as ONGs não estão tão focadas em mudar indicadores sociais. Na maioria das vezes elas são eficientes naquilo que fazem, mas não mudam indicadores sociais. Há muitas questões envolvidas e a preocupação pela eficácia deveria ser maior. Numa empresa social, o resultado eficaz deve estar no coração do negócio porque se não for assim, ele não se perpetua.

Você acha que negócios sociais podem gerar mais impacto que os projetos sociais mais tradicionais?

Acredito que os projetos sociais que têm mais foco geram mais impacto. Isso vale pra ONGs e pra negócios sociais. Se você olha o negócio social Vivenda por exemplo, ele tem um foco geográfico: já fez 170 reformas no Jardim Ibirapuera (São Paulo). As pessoas podem até pensar que não é muita coisa diante do tamanho do cenário de moradias com baixa qualidade no país, mas é muito naquele bairro! Então a escolha deles de foco foi muito importante, na minha leitura. E essa atuação dá consistência para que eles consigam escalar depois.

Muito poucas pessoas medem o impacto realmente, porque é muito difícil. No 100pepinos por exemplo, a gente poderia fazer muito mais se gente tivesse mais foco. É uma coisa que temos começado a refletir. O problema habitacional no Brasil é muito amplo: 98% das reformas no Brasil são feitas sem arquiteto ou engenheiro. Este problema está no Brasil inteiro, e em todas as classes sociais. Por mais que a gente já tenha feito muito atendimento e que os conteúdos descomplicados estejam sendo acessados por muita gente, ainda é pouco em relação com este cenário.

Quais ferramentas você costuma usar para solucionar problemas sociais?

O Design Thinking é superútil para elaborar soluções e serviços adequados. Esta ferramenta é tão simples e intuitiva, mas é realmente revolucionária!

Estou também muito influenciada pela metodologia do MVS (Minimum Valuable Service), elaborada por Tenny Pinheiro, a partir do Design Thinking e do Lean Startup. O ponto de partida do MVS é olhar o outro, interagir com ele para gerar memórias incríveis a partir do serviço que você oferece. Memórias incríveis podem ser ou muito boas ou muito ruins! O ideal para gerar boas memórias é preocupar-se com todas as fases do seu relacionamento com o cliente, desde a percepção do serviço, até o momento em que ele faz um acordo com você e experimenta o serviço.

Para mim, essas novas ferramentas, aplicadas ao Terceiro Setor, podem trazer eficácia e maior impacto para as organizações sociais.

Sobre Cécile Petitgand

Cécile Petitgand
Doutoranda em administração na Universidade Paris-Dauphine e na USP, sou apaixonada pelas inovações desenvolvidas pelas organizações que pretendem usar os mecanismos de mercado para resolver grandes problemas sociais e ambientais. Acredito no poder de mudança do empreendedorismo e no grande potencial das novas redes de comunicação.

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