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Entrevista com Gabriela Besser, fundadora do Portal SuperAção

Postado por Cécile Petitgand 22 de outubro de 2015 Deixe um comentário

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Gabriela Besser é a fundadora do Portal SuperAção, primeira rede de apoio personalizado que contem várias ferramentas necessárias para a superação de pacientes e familiares de diversas causas em um só lugar!

No projeto Anjos do SuperAção, os Anjos (pessoas que já superaram suas causas), ajudam os Superadores (pacientes e familiares que precisam de ajuda) e todos ainda possuem o olhar cuidadoso dos Arcanjos (voluntários engajados).

Conheça mais sobre a trajetória de empreendedora social da Gabriela e encante-se com a sua missão!

Gabriela, como você se tornou empreendedora social?

Alguns anos atrás, olhei em volta e vi que estava tudo errado e que eu não me identificava com o mundo. Pensei: ¨Não é possível, tem que ter uma coisa faltando, porque não está funcionando¨. Tive várias ideias e me descobri então como uma fábrica de soluções. Minha cabeça fervia com soluções para praticamente qualquer problema. Disso surgiu um potencial, e uma das ideias que tive foi o PortalSuperAção que se tornou uma grande paixão minha, e uma missão espiritual inclusive.

Comecei a me dedicar cada vez mais a meu projeto, e entrei no Lab do Social Good Brasil com a vontade de fazer acontecer. Do Lab saiu o projeto Anjos da Superação que está crescendo cada vez mais. Hoje estou com mais de 80 participantes. Tenho ainda uma demanda para fazer mais 5 a 6 duplas de Superadores e Anjos!

Como você consegue fazer todo isso sozinha?

Sempre vieram pessoas lindas para me ajudar, e elas me deram muita força. A Letívia Taveira foi muito importante como parceira no Lab e o Michel Nassif hoje é muito importante na administração das duplas. Porém, o apoio de voluntários tem sido um desafio. Sem um salário, as pessoas acabam se afastando do projeto. Em breve espero conseguir dinheiro para criar uma equipe.

Após o Lab, senti muita necessidade de uma nova mentoria. Então, comecei há pouco tempo um processo de incubação no Sense-Lab. Vou poder repensar o meu serviço, vislumbrar novos modos de financiamento e poder receber apoio.

Como o próprio Portal poderia se sustentar financeiramente?

Na verdade, o Portal não vai ter sustentabilidade no início. Ele necessita ou de um investimento ou de doação. A doação vai ser nosso primeiro tiro porque a gente tem uma proposta muito boa.

Pensamos daqui a pouco oferecer um serviço de marketing direccionado para profissionais e projetos. Por exemplo, se você organiza retiros espirituais para mães de dependentes químicos, poderia anunciar no Portal SuperAção ao invés de ficar gastando monte de dinheiro em marketing na Internet. Isto poderia ser uma fonte de recursos para o projeto, além das doações e do apoio institucional de outras organizações.

Como você envisaja a questão da medição do impacto social?

Uma das minhas grandes dificuldades foi a questão das métricas. É muito complexo, cada projeto tem seus indicadores específicos. No próprio Social Good, a gente viu que os indicadores são muito relativos. Às vezes, você se dá a meta de atingir 100 pessoas fazendo uma coisa, mas isso pode ser uma meta insana. Se você atingir 5, já é um sucesso!

Eu por exemplo não tinha ideia do que, para ser um site de sucesso, 1000 acessos por dia não é suficiente. Para mim, no começo do Lab, era um grande sucesso, hoje não é mais. Então, essas métricas de impacto são muito relativas.

Finalmente, uma palavra de otimismo para os empreendedores sociais de hoje: Quando você começa a ficar desesperada, o que te faz enxergar a luz no final do túnel?

Ter certeza que isso é uma missão spiritual! Tenho certeza que estou ajudando muita gente: os depoimentos que as pessoas nos deram e que estão no site mostram isso. De tempos em tempos, de dias em dias, recebemos um agradecimento. Conversamos com as pessoas, e já vemos uma diferença positiva.

Sobre Cécile Petitgand

Cécile Petitgand
Doutoranda em administração na Universidade Paris-Dauphine e na USP, sou apaixonada pelas inovações desenvolvidas pelas organizações que pretendem usar os mecanismos de mercado para resolver grandes problemas sociais e ambientais. Acredito no poder de mudança do empreendedorismo e no grande potencial das novas redes de comunicação.

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