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Entrevista com Andressa Trivelli, gestora no Social Good Brasil

Postado por Cécile Petitgand 7 de dezembro de 2015 Deixe um comentário

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O Social Good Brasil apoia o empreendedorismo social desde sua fundação em 2013. Acredita que as tecnologias, novas mídias e o comportamento inovador podem contribuir em trazerem soluções para problemas da sociedade.

Dentre outras iniciativas, Social Good Brasil desenvolveu o Lab: um laboratório de design e prototipagem de iniciativas com duração de quatro meses, no qual empreendedores sociais podem testar sua ideia de negócio e aprender novas metologias de planejamento, como design thinking e Lean Startup.

Andressa Trivelli é gestora de projetos no Social Good Brasil e participou da coordenação de vários dos Labs que foram organizados desde 2013. Descubra comigo sua visão sobre os negócios sociais e conheça a missão do Social Good para incentivar os empreendedores a botarem a mão na massa!

O que faz a diferença entre o Lab e qualquer outro processo de incubação de negócios sociais?

O Lab do Social Good não é realmente uma incubadora de negócios sociais. Sua proposta é outra: pretende criar um ambiente onde as pessoas possam testar sua ideia para solucionar um problema, sem ter medo de errar. No Lab, a gente sempre fala para os participantes: ¨Você está aqui para ver se sua ideia vai dar certo. Se você testou e não deu certo, não é que você errou, é só que você tem que testar de novo!¨. Que o erro seja planejado e controlado, é isso que a gente quer.

O Lab é muito curto, será os empreendedores têm tempo de desenvolver uma ideia de negócio social durante o processo?

Tem uma frase que ouvi e que gosto sempre de repetir: ¨se você não tiver vergonha no seu primeiro projeto, é que você demorou demais para lançar ele!¨. Na verdade, muitos empreendedores chegam no Lab com a ambição de lançar um produto ou um serviço perfeito. Isto é errado, pois pode paralizar a ação. Com certeza, você vai ter vergonha de lançar uma coisa que não é tão bem feita, mas é melhor se queimar com 5 pessoas por causa de um protótipo com defeito do que com 100 ou 1000 por ter lançado um produto ou um serviço errado. A final das contas, feito é melhor que perfeito!

Hoje aparecem novos ¨gurus¨ do empreendedorismo social que pretendem fornecer metodologias simples para resolver problemas sociais, o que você acha disso?

Os problemas sociais são baseados em pessoas, e elas são únicas. Portanto, não existem metodologias que possam resolver todos os tipos de problema social através de um passo a passo bem definido.

O Lab do Social Good Brasil é um processo pedagógico que contém várias etapas. Porém, às vezes, o empreendedor precisa dar uns passos para trás para refazer seu projeto e refletir sobre a mudança que quer produzir. Isto é o seu caminho pessoal. O objeto do Lab é verificar se a solução que você pretende implementar realmente está fazendo uma diferença. Não adianta seguir um passo a passo, se a sua solução não está resolvendo nenhum problema de maneira relevante.

O que você acha do fato de que geralmente poucas pessoas que participam de processos de incubação vêm de comunidades carentes?

Acho tanto estranho quanto preocupante! A gente duvida um pouco se o linguajar que a gente usa para fazer o processo de inscrição no Lab seja entendido por pessoas que não fizeram faculdade. Na verdade, estamos tendo uma pequena crise internamente. No ano passado, participaram do programa do Lab em Florianópolis dois empreendedores de comunidades que, no final, não terminaram o processo…

Agora estamos estudando várias proposições para adaptar esta linguagem nossa para que seja mais inteligível para os jovens que não passaram pelas faculdades de elite. Mas precisamos testar isso na prática!

Sobre Cécile Petitgand

Cécile Petitgand
Doutoranda em administração na Universidade Paris-Dauphine e na USP, sou apaixonada pelas inovações desenvolvidas pelas organizações que pretendem usar os mecanismos de mercado para resolver grandes problemas sociais e ambientais. Acredito no poder de mudança do empreendedorismo e no grande potencial das novas redes de comunicação.

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