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Desenvolvimento Comunitário Baseado em Ativos

Postado por Cécile Petitgand 16 de maio de 2017 Deixe um comentário

desenvolvimento comunitario baseado em ativos
Originário dos Estados Unidos, onde nasceu sob a denominação de Asset-Based Community Development (ABCD), o Desenvolvimento Comunitário Baseado em Ativos é uma metodologia que vem revolucionando a maneira de resolver problemas nas comunidades. Os seus idealizadores, John McKnight e Jody Kretzmann (co-diretores do Instituto ABCD) visitaram, no final dos anos 80, 300 bairros localizados em 20 cidades dos Estados Unidos. Durante essa viagem que durou quatro anos, procuraram identificar os eixos fundamentais da vida comunitária, por meio de observações, conversas e entrevistas com as populações locais.
McKnight e Kretzmann encontraram milhares de pessoas, todas morradores de bairros urbanos, muitas vezes precários, às vezes miseráveis. Nesses encontros, os dois pesquisadores se esforçaram para tirar o foco dos problemas para centrar-se nos potenciais das comunidades. Eles queriam entender por que, a pesar das numerosas dificuldades socioeconômicas, os moradores desses bairros muitas vezes conseguiam “dar um jeito”, resolvendo seus problemas por si só.
McKnight e Kretzmann perguntaram a cada um: “Poderia nos contar uma história na qual você e seus vizinhos conseguiram se organizar para melhorar suas vidas aqui na comunidade?” Graças às 3000 histórias que conseguiram reunir, os dois pesquisadores destacaram seis eixos fundamentais para o bem-estar das comunidades :
  1. As habilidades dos moradores
  2. O poder das associações locais
  3. Os recursos dos setores público, privado e sem fins lucrativos
  4. Os recursos materiais e a ecologia dos espaços locais
  5. Os recursos econômicos dos espaços locais
  6. As histórias e heranças do espaços locais

 

Esses seis eixos fundamentais são os “ativos da comunidades”, segundo John McKnight e Jody Kretzmann. Eles constituem os alicerces de uma comunidade saudável na qual se é possível morar, trabalhar, criar filhos e envelhecer com saúde e felicidade. Esses conceitos não saíram da cabeça de dois acadêmicos pretensiosos ; surgiram na verdade das experiências concretas de moradores lutando em prol do desenvolvimento de suas comunidades.

No seu primeiro livro, Building Communities from the Inside Out, McKnight e Kretzmann defendem a ideia segundo a qual as comunidades podem se desenvolver a partir de seus próprios ativos. Usando os recursos que possuem ou que atraem de fora, elas podem atingir seus objetivos. Ajudar as comunidades significa, portanto, auxiliá-las nessa mobilização de recursos, e não trazer novos recursos para elas.
Nenhuma comunidade precisa de uma ONG que lhe injete dinheiro ou a invada com sua tropa de trabalhadores sociais. O que elas precisam é tomar consciência do poder dos seus ativos e da força do engajamento coletivo, para mudarem seu destino. Lamentavelmente, poucas ONGs estão hoje dispostas seguir esse mandamento: trabalhar com as comunidades e não para elas.

Sobre Cécile Petitgand

Cécile Petitgand
Doutoranda em administração na Universidade Paris-Dauphine e na USP, sou apaixonada pelas inovações desenvolvidas pelas organizações que pretendem usar os mecanismos de mercado para resolver grandes problemas sociais e ambientais. Acredito no poder de mudança do empreendedorismo e no grande potencial das novas redes de comunicação.

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